domingo, 21 de novembro de 2010

Quero ser a Boneca Perfeita

                                   
As mulheres do século XXI estão cada vez mais obcecadas pelo corpo ideal. São horas na academia, no salão de beleza, no shopping, comprando roupas sapatos e acessórios e uma infinidade de cosméticos e sem falar nas cirurgias plásticas e tratamentos diversos.  Pois querem ter o “bumbum” da Danielle Souza (Mulher Samambaia), a boca da atriz Angelina Jolie, o nariz da “Fulana” e os seios da “Sicrana” e assim por diante. Isso é reflexo de um padrão imposto pela mídia. Através das revistas, novelas e propagandas, as brasileiras observam o que seria a silhueta perfeita e fazem de tudo para alcançá-la. 

O corpo passou a ser um objeto de consumo, o qual as próprias mulheres podem moldar conforme desejam. É a busca para se tornarem a boneca perfeita. Tal boneca desejada por elas mesmas, e por homens que estabeleceram um ideal estético, ou seja, mulheres “gostosas”. Tudo embasado nos reflexos de uma utopia imposta pelos veículos midiáticos transformando a atual sociedade em algo superficial e consumista. 
Mulheres, jovens e adolescentes diariamente procuram soluções para seus dilemas estéticos. Só no Brasil são realizados mais de 700 mil procedimentos a cada ano. Sendo que 13% das pacientes são adolescentes, entre 14 e 18 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia plástica. O país é o segundo colocado no Ranking Mundial, perdendo para os Estados Unidos. Conforme a pesquisa do Ibope, 45% das cirurgias realizadas pelas brasileiras são lipoaspirações e próteses mamárias.
O professor e cirurgião plástico Antonio Roberto Bozola, em entrevista para a Revista Beleza & Arte, alerta as mulheres para o perigo que a vaidade excessiva pode causar em suas vidas. Ele afirma que muitos desses padrões são impostos pela sociedade a partir do nascimento do ser humano, influenciados pela mídia. “Desde cedo, a menina ganha brinquedos como estojos de maquiagem, esmaltes, que estimulam a vaidade e induzem-na a buscar a beleza inatingível”, diz o médico.
As crianças acabam trocando as antigas bonecas por elas mesmas. Acabam crescendo acreditando que é possível brincar com o próprio corpo. Mudando na hora que puder e bem desejar. Assim, o consumismo exagerado dos produtos oferecidos pelas indústrias da moda e da beleza passam a serem seus aliados. Com o consumo, a mulherada conseguem a realização dos sonhos de infância.
O especialista Bazola reafirma que nenhum exagero é saudável. “Há pessoas que se olham no espelho a vida inteira e não sentem absolutamente nada, não se preocupam com a aparência. Isso também não é bom. A vaidade não é um defeito. É uma virtude. Mas, quando ela se torna mais importante que a própria felicidade, é hora de parar e procurar o que está errado em nós mesmos”, diz. Vivemos num mundo do faz de conta, o qual, as bonecas são pessoas de carne e osso. O problema é que elas não descobriram ainda isso, e preferem viver na fantasia induzida.

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